terça-feira, 6 de maio de 2014

Artes Plásticas:

Amadeo de Souza Cardoso, Almada

Amadeo de Souza Cardoso, trou de la Serrure
Parto da Viola Bon Ménage, 1916
Amadeo de Souza Cardoso reflete na sua obra influências da arte estrangeira, devido aos longos períodos que passou fora de Portugal, o que lhe permitiu o contrato com o Pablo Picasso, Georges Braque e Robert Delaunay, entre outros. O Parto da Viola foi um dos quadros que lhe valeu a celebridade. Observamos nesta tela uma grande intensidade cromática e inúmeros objetos sobrepostos que sugerem a iconografia tradicional (potes e bilhas de barro, uma figura feminina- boneca popular) mas, simultaneamente, letras soltas e figuras geométricas. O objeto central da obra não é uma viola, como sugere o título, mas sim um violino, representado numa metade, a sugerir um perfil. É uma obra muito rica pela heterogeneidade dos elementos que a compõem, pela sobreposição e geometrização, assim como pelos jogos de luz e cor, sendo exemplo do Modernismo em Portugal.
in Interações, Português, 12º ano, Azóia F. e Santos F., Texto Editores






Módulo 9: Textos Líricos

Fernando Pessoa e Heterónimos

MODERNISMOS




No início do Séc. XX, havia um sentimento geral de que não era mais possível renovar a arte tradicional. As escolas literárias repetiam suas fórmulas. A superficialidade convivia com a crença de que a evolução tudo comandava e pouco cabia ao homem nesse processo.
No entanto, um movimento forte e amplo - o Modernismo - viria dar fim a este marasmo e implantar o inconformismo.
Modernismo, não foi apenas produto de uma evolução estética: ele decorreu de todo um estado de espírito formado pela cultura da época e que repercutiria em todas as artes, integrando literatura, pintura, música arquitetura, cinema, etc. A primeira Guerra Mundial foi o grande divisor das águas.
Nesse contexto surgiram as vanguardas européias, que antecederam e originaram o Modernismo literário.
Vanguarda vem do francês e significa extremidade dianteira dos exércitos em luta. E a literatura de vanguarda foi realmente combativa, polêmica, desbravadora e irreverente. Os vanguardistas da época valiam-se do deboche, da ironia e da luta verbal com o objetivo de substituir a arte passadista pela arte moderna.


As principais vanguardas européias foram:
-Cubismo;
-Dadaísmo;
-Futurismo;
-Surrealismo


Todas essas vanguardas tiveram um caráter agressivo, experimental, demolidor e inovador. Combatiam o racionalismo e o objetivismo das teorias científicas do Realismo/Naturalismo/Parnasianismo e pregavam o irracionalismo. Com isso, buscavam uma compressão mais subjetiva do homem, voltada mais para seu interior que para seu exterior.
De 1940 a nossos dias, o Modernismo português desenvolveu várias tendências; Neo- Realismo. Ecletismo, Humanismo dramático, Realismo contraditório e Experimentalismo polivalente.


Características:
• Atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos;
• Reação contra o passado, o clássico e o estático;
• Temática mais particular, individual e não tanto universal e genérica;
• Preferência pelo dinamismo e velocidade vitais;
• Busca do imprevisível e insólito
• Abstenção do sentimentalismo fácil e falso;
• Comunicação direta das idéias: linguagem cotidiana.
• Esforço de originalidade e autenticidade;
• Interesse pela vida interior (estados de alma, espírito)
• Aparente hermetismo, expressão indireta pela sugestão e associação verbal em vez de absoluta clareza.
• Valorização do prosaico e bom humor;
• Liberdade forma: verso livre, ritmo livre, sem rima, sem estrofação preestabelecida.

OS HETERONIMOS DE FERNANDO PESSOA

Sua capacidade de deixa-se possuir por outros seres, que como ele são poetas, e de assim criar os outros eus, os heterônimos, tem sido tema de numeráveis estudos debates e controvérsias. Destruiu as certezas inquestionáveis e quebrou o mito da personalidade como algo inteiro, algo assim mesmo.


Os heterônimos, portanto, não são máscaras literárias, não se confundem com pseudônimos. Pessoa não inventou personagem-poetas, mais criou obras de poetas, e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Episódio do Jantar no Hotel Central

  Este episódio surge no capítulo VI do romance e integra a chamada crónica de costumes. Estamos perante um acontecimento eminentemente mundano, integrado na crónica de costumes (recordar o subtítulo «Episódios da Vida Romântica»), cujo objectivo central é homenagear o banqueiro Cohen, de cuja mulher Ega (o promotor da homenagem) é amante.


Objetivos

  • Homenagear o banqueiro Jacob Cohen, uma iniciativa de João da Ega («... o Ega, alargando pouco a pouco a ideia, convertera-o agora numa festa de cerimónia em honra do Cohen...»).
  • Retratar a sociedade lisboeta.
  • Proporcionar a Carlos da Maia o primeiro contacto com o meio social lisboeta.
  • Apresentar a visão crítica de alguns problemas.
  • A nível da ação central: proporcionar a Carlos o primeiro encontro com Maria Eduarda.

Intervenientes
  • João da Ega : Promotor do jantar, uma homenagem ao banqueiro Jacob Cohen, marido da «divina Raquel», com quem mantém uma relação adúltera, João da Ega defende o Realismo / Naturalismo.
  •  Jacob Cohen : É o homenageado durante o jantar, o marido da «divina Raquel», diretor do Banco Nacional, por isso o representante das Finanças na obra.
  • Tomás de Alencar : Representante do Ultrarromantismo, é confrontado com os princípios naturalistas / realistas defendidos por Ega.
  • Dâmaso Salcede : É o tipo do novo rico burguês e a súmula dos defeitos da sociedade: provincianismo, vaidade, futilidade e oportunismo (repare-se como louva Carlos da Maia com o intuito de assumir uma posição mais preponderante na sociedade.
  • Carlos da Maia : O episódio proporciona-lhe o primeiro contacto com a sociedade, mantendo, durante o evento, uma posição relativamente discreta.
  • Craft : Representante da cultura artística e britânica, Craft tem uma participação pouco relevante neste episódio.
Temas discutidos durante o jantar :

  • Literatura;
  • Finanças;
  •  A história política
Fim do jantar - resolução da disputa

  • Ega e Alencar insultam-se mutuamente;
  • fazem uso de uma linguagem escabrosa e ofensiva;
  • envolvem-se numa zaragata que quase termina numa sessão de pugilato;
  • acabam por fazer as «pazes à portuguesa»: reconciliação e mostras de arrependimento, com abraços e protestos de amizade;
  • ou seja, esgotados os argumentos, passa-se à pessoalização das questões (= Questão Coimbrã, após as primeiras intervenções críticas; o desafio para um duelo entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão).

Conclusões - o modo de ser português


     1. A falta de personalidade:
  • Alencar muda de opinião quando Cohen assim o pretende;
  • Ega muda também de opinião quando Cohen o pretende;
  • Dâmaso, cuja divisa é «Sou forte», aponta o caminho covarde da fuga.
     2. A disputa Ultrarromantismo / Naturalismo, reflexo da Questão Coimbrã.

     3. A falta de coragem / a covardia domina a sociedade, «... desde el-rei nosso senhor até aos cretinos de secretaria!...».

     4. A falta de cultura e civismo domina as classes mais destacadas, com exceção de Carlos e de Craft.

     5. O exército:

  • em caso de invasão, teriam de se alugar os generais para defesa da pátria;
  • a falta de disciplina dos soldados, não obstante serem «teso(s)»;
  • a fraqueza física e moral («Um regimento, depois de dois dias de marcha, dava entrada em massa no hospital!»; o episódio do marujo sueco).


http://www.youtube.com/watch?v=MtpMSDxgZYY

Cesário Verde

  Vida breve teve Cesário Verde. Nasceu em Lisboa em 25 de Fevereiro de 1855, morreu em Lisboa a 19 de Julho de 1886. Tinha 31 anos, idade absurda para morrer com uma tuberculose, dia 19 de Julho de 1886.

   Considerado um grandioso poeta português, matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Lisboa, mas acabou por desistis, optando por trabalhar para a loja de ferragens que seu pai tinha na Rua dos Bacalhoeiros.     
  
   No entanto, deixou-se levar pela sua paixão à poesia e continuou a escrever poemas, tais como: "Num Bairro Moderno" (1877), "Em Petiz" (1878), "O Sentimento dum Ocidental" (1880), publicado no Diário de Notícias, no Diário da Tarde, no Ocidente, entre outros. 

A sua obra incide sobre a dicotomia campo / cidade, pois faz várias alusões às condições de vida do povo, dos burgueses, dos "bons trabalhadores. Remete-nos ainda para a vida no campo, a beleza da natureza e a beleza da mulher que é bastante realçada ao logo da sua obra.